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Por que os anti-heróis nos fascinam?

Atualizado: 13 de mar.



Não sei se reparou, mas os heróis foram substituídos pelos anti-heróis que, de alguma forma, são mais interessantes e atraentes. Eles são falíveis, assim como nós, infelizes na sua grande maioria, muitas vezes produtos de um passado traumático. Vamos descobrir o que mais há por trás desse perfil? Vem comigo!



Por que os anti-heróis nos fascinam?


Porque eles muitas vezes dão vazão aos nossos desejos mais sombrios, aqueles que jamais confessaríamos em voz alta.


O herói puro, aquele dotado apenas de virtudes não nos atrai mais como antes porque não nos identificamos com eles, porque ficam em um altar, um pedestal inalcansável. No entanto, os anti-heróis possuem falhas e, nesse caso, são tão semelhantes a nós, humanos. Os seus valores morais são, muitas vezes, questionáveis ​​e até passíveis de punição, mas ainda assim, somos atraídos por esse lado sombrio porque, bem no fundo, todos nós temos, tivemos ou teremos algum lado sombrio dentro de nós mesmos, ainda que jamais confessemos ou que nos demos conta.



O arquétipo do herói dotado apenas de virtudes e que luta contra o mal, como proposto por Carl Jung, deixou de nos emocionar. Os nossos salvadores eternos, aqueles que traziam a luz para acabar com as trevas, não nos inspiram mais.


O antropólogo Lévi-Strauss dizia que nenhum mito, lenda ou figura arquetípica é casual, pois todas essas entidades têm a sua representação no mundo real. E, se existe no mundo real, de alguma forma nos sentimos mais próximos daqueles que se parecem conosco, personagens falíveis, imperfeitos.


Sim, às vezes ele também são sem moral e é aí que coisa mexe fundo dentro de nós, que nos faz questionar. Porque alguém tão parecido conosco acabou "desandando" para o outro lado? Até que ponto podemos ir sem que ultrapassemos a linha que separa o bem do mal? O que é o bem ou mal, afinal de contas?


Pois é... É assunto para dias, como já percebeu.



Richard de Thron na trilogia Não Pare: a "morte" mais linda e enigmática da literatura. O vilão da trama que será o vilão até o fim da saga, mesmo que tenha se apaixonado pela mocinha. E aí? Será que ele a mata no final? Só lendo para descobrir! ;)


Então por que os anti-heróis nos atraem tanto?

O tempo dos verdadeiros heróis parece ter chegado ao fim; o seu reinado severamente ameaçado. Figuras como Hércules e Perseu deixaram de brilhar há muito tempo, e embora o mundo da literatura tenha nos trazido figuras inesquecíveis como o Conde de Monte Cristo, James Joyce renovou esse conceito. Ele nos deu o seu Ulisses e nesse romance, de repente, entramos em contato com um grupo de anti-heróis que beira o cômico e o trágico.


De alguma forma, todo anti-herói tem exatamente esses mesmos ingredientes: o véu do traumático e o reverso do cômico. O Coringa é um exemplo e embora às vezes pensemos nele como um vilão, ele carrega em seu DNA a essência do anti-herói. É um homem com um passado terrível que se veste de palhaço, que ri da crueldade e que pinta um sorriso no rosto marcado pela tristeza.


É fácil ter empatia com o anti-herói porque ele nem sempre está feliz e isso, nos tempos atuais, é fácil de entender. Vamos mergulhar um pouco mais fundo nesse conceito.




É importante não confundir o anti-herói com aquele que é simplesmente imperfeito. Tony Stark (Ironman) ou o próprio Batman simbolizam este último. Eles têm suas luzes e suas sombras, um é excêntrico e até irresponsável até se ver em uma situação de vida ou morte; e o outro tem aquele passado complicado devido ao trauma de ter vivenciado a morte violenta dos pais. No entanto, ambos ainda são heróis salvadores, personagens que resolvem grandes problemas e, como Carl Jung apontou, simbolizam o arquétipo do salvador.


Os verdadeiros anti-heróis, no entanto, não salvam ninguém. Na verdade, eles têm trabalho suficiente para garantir que se levantem todos os dias. São figuras que emergem da adversidade, do trauma, da perda ou traição. A partir daí, eles criam um mundo particular, no qual governam com as suas leis e o seu próprio sistema de valores, muito diferentes da maioria.

O bem e o mal se dissolvem e podem navegar em ambas as esferas, sendo capazes de grandes feitos e atos que violam completamente a lei. Ismael na trilogia Não Pare! se encaixa perfeitamente nesse arquétipo e por isso é quase unanimidade entre os leitores que simplesmente o amam sem contestar seus atos escusos.


É fácil sentir empatia por eles! Ah, se é!


Ron Blankenhein da trilogia Deusa de Sangue: personagem tão carismático quanto enigmático, seria ele o mocinho atormentado ou o encantador vilão?


Os heróis são admirados, mas é mais fácil se identificar com os anti-heróis.


Sim, é contraditório dizer que a pessoa pode entrar na pele de personagens como a Rebeca (do livro TREZE, de FML Pepper) ou Tony Soprano e desfrutar de cada um de seus atos. No entanto, é assim que acontece. O nosso senso de empatia nos faz identificar mais com uma pessoa infeliz, desesperada e frustrada que age contra um sistema falido.


Vamos nos lembrar de Walter White, que conseguiu conquistar a nossa simpatia por ser um professor de química do ensino médio com câncer que decide produzir metanfetamina para sustentar a sua família. Ou até mesmo a Malévola, uma fada traída e perseguida por um amante que, além de abandoná-la, volta mais tarde para arrancar as suas asas.

É muito fácil projetar a nossa identificação com este tipo de figura.

O seu lado sombrio é atraente. Sentimos empatia pelo motivo que os levou a essa dimensão.


Kaz em Six of Crows


Ainda que por meios tortos, o anti-herói é capaz de reprimir injustiças de uma sociedade fracassada. As suas reações extremas a situações inadmissíveis também nos são (secretamente) atraentes. Sim, é isso mesmo, admiramos a sua determinação em relação às coisas que nunca ousaríamos mudar.



O anti-herói mente, pode ser cruel, trair e até matar alguém violentamente. Eles podem ser contraditórios, podemos odiá-los instantaneamente e dizer a nós mesmos que é melhor esquecê-los. Nós os evitamos em algum momento porque desafiam os nossos códigos éticos e morais, mas ainda assim, mais cedo ou mais tarde queremos saber mais sobre eles… Desejamos ler outro livro sobre ele, outro capítulo da série, outro filme ou revista em que ele está.


Warner em Estilhaça-me


No fundo, não queremos que eles mudem, ou se for para mudar que seja só um pouquinho, só para se apaixonar pela protagonista da história. Aquele que, ao contrário do herói, não vai deixar a mocinha de lado se for preciso para salvar o mundo ou uma causa maior. Não, nada disso. O anti-herói é capaz de destruir o mundo ( se for preciso matar todo mundo no caminho, que seja) somente para salvar a pessoa amada. E é por isso que, apesar de moralmente questionáveis, eles são simplesmente irresistíveis.


Malévola


Então agora que você é um(a) expert no assunto, quero que responda: você também se sente atraído(a) por esse tipo de personagem? Qual foi o que mais te marcou até hoje?


Conta para mim! Eu vou amar saber!


Mil beijocas e até a próxima,


Pepper.





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